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A Jornada de um Empreendedor sem Dinheiro no Brasil.
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A Jornada de um Empreendedor sem Dinheiro no Brasil.

Se você pensa em empreender no Brasil, você já deve ter visto diversos vídeos no Youtube sobre como abrir seu próprio negócio, já deve ter lido diversos artigos, escutado diversos discursos de pessoas bem sucedidas e/ou visto diversos ”experts” oferecendo o segredo do sucesso. Incrivelmente esses segredos mudam de pessoa para pessoa. Alguns são os mesmos segredos. Aliás, o mesmos. ”Faça isso. Crie isso. Siga os 5 passos e desfrute de uma vida de abundância…” Bleh… Mas se você tem algum tempo de experiência dedicado a abrir o próprio negócio, você já deve ter percebido que o que você aprende na prática tem pouca ou nenhuma relação com tudo que você já ouviu por aí.

Sabendo disso… como é possível criar negócios realmente lucrativos sem enlouquecer?

Primeiro é importante ressaltar que eu não tenho esse segredo. Quem escreve aqui passou e ainda passa pelos mesmo perrengues que você está passando. Quem escreve aqui não sabe a fórmula mágica do sucesso. Quem escreve aqui é alguém que já fracassou mais do que teve sucesso em suas empreitadas. Quem está escrevendo aqui é alguém exatamente como você. Que ainda está lutando pelo seu lugar ao sol.

O que eu notei é que esse tipo de pessoa não fala muito. Você raramente vê vídeos e artigos de quem fracassa. Isso se dá por um motivo. Esses artigos/vídeos/discursos de pessoas bem sucedidas vendem a esperança. E não me entenda mal. Eles são necessários. Mas mais do que eles, os discursos de pessoas que lutam no mesmo patamar que você são muito mais relevantes do que os que já adquiriram sucesso financeiro e pessoal.

Você já viu foto de alpinistas no topo da montanha? Eles estão sorrindo, extasiados, triunfantes. Eles não tiram fotos ao longo do caminho porque, quem quer se lembrar do resto? Nós nos esforçamos porque precisamos, não porque gostamos. A escalada implacável, a dor e a angústia de chegar ao próximo nível – ninguém tira fotos disso, ninguém quer lembrar. Só queremos lembrar a vista de cima, o momento de tirar o fôlego na beira do mundo.

Quando criei o Instituto Kailua em 2017, eu não tinha 1 real para investir. Empolgado, contava sobre o projeto para meus amigos e familiares. Além de diversos ”mas…” que eu fui ouvindo de todos, ninguém acreditou propriamente no projeto comigo. Como criar um negócio do zero, sem dinheiro? Bom.. Eu tinha um emprego CLT que segurou muito as pontas no começo da trajetória. Com esse emprego, juntei R$ 1000,00 em aproximadamente 3 meses e criei o site. Esse mesmo que você está agora, porém bem mais simples.

Comecei fazendo tudo sozinho. Eu era o Diretor, o Marketing, o Atendimento, o Jurídico, as Mídias Sociais, o Financeiro e a operação. Tudo isso enquanto ainda gerenciava um trabalho CLT em paralelo. Aos poucos, fui tendo a oportunidade de falar sobre o projeto para alguns professores que toparam participar do projeto. Pouco tempo depois, a prima da minha esposa, que precisava de um estágio para se formar na faculdade, se juntou a equipe. Até hoje ela está comigo! 🙂

Como se não bastasse trabalhar 16 horas por dia em múltiplas funções diferentes, eu ainda queria remar contra a maré. Decidi que não queria que fosse apenas mais uma escola de idiomas por aí. Decidi que queríamos fazer a diferença. Criamos o sistema ”um pra um” e prometi que cada aluno pagante iria financiar os estudos de quem ainda não tinha condições de pagar. Isso tudo enquanto cobrava preços 50% mais barato do que o mercado para os pagantes e pagava quase 25% mais para os colaboradores.

Eu sei o que você deve estar pensando. ”Como?????”

Desde os primeiros dias de vida, o Instituto Kailua buscou suporte. Buscamos investidores, ajuda do governo, parcerias com a iniciativa privada… E ao longo de 4 anos foram ”Não atrás de não atrás de não atrás de não”.

Para os investidores, ”ah o negócio não é escalável”

Para o governo, ”ah, o negócio não se encaixa nas diretrizes que ajudamos”

Para a iniciativa privada, ”ah, no momento não temos como firmar nenhuma parceria”

Aparentemente um negócio que consegue crescer gerando emprego não é interessante para investidores. Aparentemente um negócio que já proporcionou educação gratuita para mais de 100 crianças e adolescentes em situação de risco, que busca alfabetizar crianças e adolescentes que o ensino municipal só passou direto sem se preocupar com o que eles(as) realmente aprenderam e que levou a escola para dentro de 50 residências de crianças que deixaram de estudar em 2020 por conta da pandemia não se encaixam nas diretrizes dos projetos ajudados pelo governo.

Eu demorei para entender isso. Eu demorei para entender que se eu quisesse ter sucesso, eu teria que usar o dinheiro do mês passado. E assim tem sido feito há 4 anos. Hoje temos 220 alunos e mais de 70 bolsistas em quatro projetos sociais no Brasil (pasmem, nossos projetos não respeitam barreiras estaduais).

”Então você tem sucesso!”

Claro que eu tenho. Estamos extremamente orgulhosos do que conquistamos. Sozinhos. Mas estamos longe de estarmos confortáveis. Ainda sofremos com meses deficitários, escolhemos contas para pagar e os impostos estão sempre sendo pagos em atraso.

Esse duro pêndulo é o que espera você, empreendedor sem financiamento do futuro.

Então eu vou falar para vocês três coisas que ninguém me falou lá atrás. Talvez, se tivessem falado, minha trajetória teria sido bem diferente.

A primeira é que empreender vai te custar muitas coisas. As pessoas que querem empreender normalmente não pensam no que vai custar. A sua jornada vai te custar muito mais do que dinheiro. Para quem está começando, é impossível (por mais que você esteja ciente que não é imediato) mensurar quanto tempo vai ser necessário. Empreender pode te custar amizades, noites de sono, sacrifícios pessoais, tempo longe de entes queridos, sua saúde… Empreender vem com um preço que a maioria das pessoas não estão dispostas a pagar.

O sucesso do seu empreendimento não é algo que vai ser dado a você. É algo que você vai ter que ir pegar. Só que para ir lá pegar, você tem que estar disposto a pagar algo que você não estava esperando. Você vai ter que pagar o seu tempo de vida com quem você ama, você vai ter que pagar horas de sono, você vai ter que pagar mais dinheiro (de novo e de novo). Ninguém fala que vai demorar muito mais tempo do que você imaginava. Aqueles 2 anos que você achava que seriam necessários? Bom, legal… Você estaria a disposto a esperar 9? 12? Você acha que só vai precisar do seu capital inicial para começar o seu negócio? Legal… está disposto a pegar empréstimos em bancos para investir no seu próprio negócio e fazer ele sobreviver em momentos de crise?

A segunda é que empreender pode ser (e será, em alguns momentos) uma jornada muito solitária.

Vai ter um momento que você vai ter que colocar tudo (leia ”tudo” com a maior ênfase possível) de si naquele momento. As pessoas ao seu redor não vão entender. E as vezes eles não apenas se afastem de você fisicamente. Eles vão se afastar de você de todas as maneiras possíveis. Talvez você se afaste delas.

Ninguém te diz que eventualmente você vai se agarrar em um ideal, uma visão, que ninguém mais entende. Que você vai ser o único torcedor do seu time. Que vai ser o único que vai te motivar a continuar amanhã. Só que isso não significa que você deva desistir do que você acredita. Hoje eu vejo que isso significa que você deve continuar acreditando em você mesmo até que mais alguém consiga escutar o som da sua própria voz. Até você encontrar essa pessoa, você talvez seja a única pessoa nesse ”desfile” por um bom tempo. Mesmo assim desfile. Continue andando.

Por muitos anos eu esperava, precisava, queria que a minha família acreditasse na minha visão. Mas não era o trabalho deles entender a minha visão. Ela foi dada a mim e só a mim.

Então se você espera que mais alguém acredite nos seus sonhos e objetivos de vida, eu te digo que não é o trabalho deles entender você, se você se entender. Esteja disposto a caminhar sozinho, de ter momentos solitários.

Por último, se você medir o seu sucesso apenas pelos contratos, pelas finanças e pelo número de seguidores em suas mídias sociais… então o seu sucesso vai ser muito vazio e superficial. As coisas que te definem como bem sucedido já existem muito antes de você começar a empreender. O relacionamento com a sua família, a saúde no seu corpo, a sua capacidade de dar gargalhadas, de ter fé no que não pode ser visto. A maioria das pessoas trocam tudo isso pelo sucesso monetário e pela popularidade.

Por muito tempo, eu troquei meus relacionados com meus pais, meus filhos, minha esposa pela perseguição ao sucesso. Tudo para perceber, na metade do caminho, que eu queria voltar e me assegurar que tudo isso estaria na jornada comigo.

Sucesso sem memórias, sem relacionamentos, sem esses momentos importantes não é sucesso de verdade. É só uma fatia de uma pizza. Eu acho que sucesso é ter a pizza toda! Sucesso é uma experiência holística.

Se assegure que você está medindo o seu sucesso pelo ”barômetro” certo.

A maioria dos grandes nomes da sua área não vão te falar essas coisas. Até porque, isso não passa a esperança que eles querem passar.

Mas eu quero te falar porque se você realmente quer ser empreender, você precisa entender o ”preço” que você vai pagar. Se tudo isso é muito para você, não pague. Mas se você decidir empreender, pague o preço todo. Pague os momentos solitários, pague os meses deficitários, pague para se levantar milhões de vezes depois de cair, pague por ninguém entender a sua visão, pague ao levar sua família na jornada com você, mesmo que signifique que o seu dia de 16 horas precise ser de 18 para que você possa fazer algo para você também.

Ninguém quer falar sobre isso, mas eu seria negligente se não falasse. Por quê? Porque eu queria que alguém tivesse me falado.

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Sobre o autor:

Raphael Lima

Raphael Lima

Raphael Lima foi o responsável pela criação do Instituto Kailua (IK). Seu espírito empreendedor deu vida a um projeto idealizado em 2014 e finalmente colocado em prática em 2017.

O Rapha também atua como professor de inglês (CELTA - Cambridge), coach de carreira (SLAC - Sociedade Latino Americana de Coaching), Gerente de Projetos (PUC-Minas), Mentor de Negócios pelo próprio IK e também como assessor de imprensa de uma Missão Diplomática no Rio de Janeiro.

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