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“Chaves moldou minha personalidade”, afirma Diretor do Instituto Kailua
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“Chaves moldou minha personalidade”, afirma Diretor do Instituto Kailua

“Chaves moldou minha personalidade”, afirma Diretor do Instituto Kailua

Criança vê, criança faz. Impossível começar o texto de outra maneira. Lembro até hoje de um vídeo promocional de 2013 que não sai da minha cabeça (segue abaixo). O vídeo é bastante impactante e desde então eu já sabia que quando tivesse meus próprios filhos, eu deveria ficar atento as minhas atitudes perto deles.
 
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Além de nossos pais, somos influenciados e moldados por tudo a nossa volta. Principalmente durante nossos primeiros anos de vida. Por isso, os papais e as mamães de plantão devem sempre ficar alertas a respeito do que os seus pequenos estão vendo na TV e nos celulares. Na minha época, a vida da minha mãe era muito mais fácil. Era só ver o que eu estava assistindo na TV e pronto. Com a tecnologia, a internet e a globalização, a informação ultrapassa barreiras consideradas impossíveis na década de 90.
De tudo que eu assistia na minha infância, o que mais tenho vivo dentro de mim foi o tradicional programa mexicano Chaves. Era de lei assistir na hora do almoço antes de ir para a escola. O programa que, para muitos não passava (e passa) de um monte de piadas sem graça e repetitivas, é na verdade muito mais que isso. Existem lições de vida nas entrelinhas que todos os pais deveriam parar para analisar.
Recentemente assisti um episódio onde o Seu Barriga, dono da vila, estava prestes a expulsar o Seu Madruga e a Chiquinha de casa. O episódio todo se passa sobre essa temática. Nos minutos finais, seu Barriga descobre que o Seu Madruga foi um boxeador no passado e mente dizendo que apostou em determinada luta e o dinheiro da aposta o salvou de uma dívida terrível. Ao sair da casa de Seu Madruga, o Professor Girafales, que estava ouvindo pela janela, questiona o fato do Seu Barriga ter dito isso, sendo que no passado havia dito que nunca havia visto uma luta de boxe. Seu Barriga prontamente responde, “Professor, se essa gente sair daqui, onde vão viver?”
Nesse momento, sem querer, o personagem mostra ao telespectador que dinheiro não é tudo. E nenhum humano deveria obrigar outro a morar na rua. Independetemente de ser ou não dono do estabelecimento. Seu Barriga deu um show de humanidade e compaixão.
Impossível também não lembrar do dia que Seu Madruga solta a famosa frase: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”, explicando ao menino chaves que não deve se vingar de quem já lhe fez mal. O personagem usa, inclusive, sua própria situação com Dona Florinda, onde apanha constantemente e nunca sequer levantou a mão para revidar.
Seu Madruga, por sinal, é um dos campeões em lições de vida. Em outro episódio, ele diz as crianças que “as pessoas boas devem amar seus inimigos”. A frase foi tão impactante que até recebeu elogios de Dona Florinda. E quem não se lembra quando ele estava vendendo churros e deixa o Chaves tomando conta por alguns minutos e quando volta o Chaves já tinha comido toda a mercadoria. Quando Dona Florinda, investidora do negócio, pergunta sobre o dinheiro das vendas, seu Madruga não denuncia o Chaves e assume a culpa de ter comido todos os churros para que o pobre menino não seja penalizado por sentir fome.. Mal sabia ele que o Chaves já tinha se acusado para Dona Florinda. Vale ressaltar que ele, o mais pobre dos moradores da vida (com exceção do Chaves), era o que constantemente oferecia comida ao Chaves.
Eu poderia escrever dezenas de outras situações onde o programa me deu um a possibilidade de enxergar um lado mais humano da vida. Isso tudo sem a necessidade de falar UM PALAVRÃO sequer ou objetificar a mulher. O programa nunca precisou disso. Resultado: 50 anos depois, os mesmos episódios ainda são lembrados e vistos por todos.
Infelizmente meus filhos não se encantaram muito com o programa. Talvez por ainda serem muito novos e pela desleal concorrência de YouTubers desembrulhando presentes. Talvez o mundo tenha mudado mesmo e o jeito é aceitar. Mas desde o primeiro dia de existência, o Instituto Kailua atende mais de 100 crianças de orfanatos e ONGs em todo o estado do Rio de Janeiro com o seu projeto Kailua Social. Na época, o dinheiro saia do salário do meu outro emprego, pois o Instituto ainda não rendia nada. Constantemente fazemos doações de alimentos e materiais de estudo para jovens carentes. Nossos cursos tem preços absolutamente abaixo do mercado, sem contratos desumanos e cobranças abusivas, porque entendemos que só a educação gera a mudança que tanto falamos atrás da tela de um computador. Tudo isso nasceu de pequenas lições diárias que aprendi no Chaves. Tudo isso aprendi com Roberto Gomez Bolaños. 

Quando soube de sua morte, voltava para casa de ônibus no infernal trânsito do Rio de Janeiro. Minha esposa comunicou como se estivesse lendo uma notícia comum. Para mim, foi como perder um mentor. Alguém que sempre admirei. De verdade, chorei. Não pelo personagem, mas por tudo que ele representou e representa na minha vida e na vida de todos que ajudamos.
Finalizo lembrando que Bolaños criou o personagem aos 42 anos de idade. O sucesso? Não precisamos nem dizer… A lição aqui é “nunca é tarde para começar”. Acredite nos seus sonhos e lute até não poder mais. E quando não puder, peça ajuda para alguém e continue lutando. A sua inspiração sempre está onde você menos espera.
Oriente seus filhos.

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Sobre o autor:

Raphael Lima

Raphael Lima

Raphael Lima foi o responsável pela criação do Instituto Kailua (IK). Seu espírito empreendedor deu vida a um projeto idealizado em 2014 e finalmente colocado em prática em 2017.

O Rapha também atua como professor de inglês e mentor de negócios no próprio IK e também como assessor de imprensa de uma Missão Diplomática no Rio de Janeiro.

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