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Não se preocupe, querida: Um filme de horror com boa temática, mas desperdiçado

Não se preocupe, querida: Um filme de horror com boa temática, mas desperdiçado

Você e eu!

Sempre. Você e eu!

Confesso que desde que vi o trailer de Não se preocupe, querida fiquei ansioso para assistir por três fatores. O primeiro deles foi a aposta e as falas da diretora e também atriz Olivia Wilde (no filme, ela interpreta a vizinha da protagonista) que diziam se tratar de um thriller de horror moderno. Em segundo, a participação de Florence Pugh no projeto a qual eu considero particularmente uma excelente atriz e um nome forte dentro do gênero de horror. E em terceiro, o visual instigante apresentado no material promocional. Por isso é com muita tristeza que eu terminei a sessão do filme, com um sentimento de que apenas um desses fatores realmente me agradaram.

Na trama, uma dona de casa mora em uma comunidade tranquila e experimental no meio de um deserto. Porém ela desconfia que a empresa na qual seu marido (Harry Styles) trabalha esconde segredos assustadores.

Indo direto ao ponto, acredito que a palavra que define o filme, seria medíocre. E, por favor, não a interpretem como sinônimo de filme ruim. Apesar de que muitas pessoas podem sair com esse sentimento. O porquê? O filme começa de forma instigante e aos poucos vai nos introduzindo seus mistérios através de falas e situações que realmente em um primeiro momento são interessantes. E dessa forma, ele vai nos atraindo para tentar descobrir junto à protagonista sobre o que diabos está acontecendo naquele lugar. O problema é que aos poucos, os bons momentos vão dando lugar a situações clichês e outras extremamente inusitadas, assim nos prometendo um grande plot que nunca chega e ainda pior, que não conversam entre si.

Sim, a explicação dos fatos é interessante e daria um ótimo thriller de mistério, mas quando você começa a conectar o que veio antes com aquele momento que deveria ser catártico, as coisas parecem não se conectar o suficiente. Há sim uma linha lógica, mas ela não passa do medíocre. Isto é, do médio. E a temática apresentada merecia mais. Merecia mais desenvolvimento, mais ferocidade. O que fica é um “legal, mas não sei, falta algo. Entende?” Um sentimento vazio.

Quanto ao elenco, honestamente, acho que eles são exatamente o ponto que separa o filme do medíocre para o ruim. Isso com ressalvas. A protagonista de Florence Pugh é uma personagem boa de acompanhar e graças à atriz que consegue ser expressiva o suficiente para te fazer embarcar com ela na jornada. E repito, isso graças à atriz, pois o texto acaba sendo o famoso compilado de diálogos expositivos e cheio de alegorias que hora funciona, hora não. Chris Pine é outro ator que consegue ter presença com seu vilão, ainda que este seja mais prejudicado pelo texto. Algo tão expositivo que o ator se esforça para dar veracidade que novamente hora convence e hora não convence. O resto do elenco está, ok. Harry Styles, tenta acessar veias mais dramáticas que são funcionais, mas que perto dos outros atores fica claro a inexperiência dele. Acontece que os outros artistas conseguem extrair mais das personagens. Há duas cenas em que isso fica muito claro, a primeira quando ele contracena junto de Pine em uma festa. O ator parece perdido, sem direção. Num segundo momento, é quando ele interage com Pugh num clímax que funciona pelo domínio da atriz que parece emprestar a ele energia para compor a cena. Veja bem, eu não estou dizendo que Styles é um mau ator, simplesmente entendo que nesse projeto, o ator não parecia estar confortável.

Quanto à direção, Olivia Wilde consegue imprimir um visual instigante, mas aos poucos vai perdendo a força e caindo em uma direção padronizada. Há sim um cuidado grande com a fotografia, com o modo de contar a história, só que há certos momentos que a direção tenta emular sentimentos de tensão que não geram nada. Há um momento em que a câmera adota movimentos circulares em uma conversa entre casais de forma que o ritmo parece não está acompanhando a cena que está sendo gravada. Gosto muito do primeiro trabalho dela na direção com Fora de série e sim, aqui mostra que a diretora tem um olhar interessante para horror. Talvez esse projeto tenha sido um deslize ou talvez ela tenha confiado demais no roteiro que tinha em mãos e não prestou atenção nas fragilidades narrativas que este possuía.

 Agora, uma parte me chamou atenção e vou tentar sintetizá-la sem entrar em spoilers. A resolução do filme carrega uma mensagem forte e cheia de alegorias como já citei mais de uma vez nesta crítica. A questão que trago é sobre a forma como isso é passado em tela. Se por um lado temos um roteiro com temática sobre o patriarcado, machismo e feminicídio; a lógica estabelecida começa a não fechar quando é revelado outras motivações para alguns dos personagens, além da ideia de uma realidade utópica que reproduz um sistema opressor como se fosse um estilo ideal. No fim, fica a pergunta sobre o que era o filme? Ou melhor, sobre o que o filme queria falar?

Não se preocupe, querida é um filme problemático, com um mistério curioso, com boas cenas e atuações divertidas. Mas, infelizmente, não passa disso. O que é uma pena, pois a temática consegue ser cativante o suficiente para ir além do que foi feito, podendo nos trazer uma obra que ficaria em rodas de conversa por muito tempo. Que pena.

Não Se Preocupe, Querida (Don’t Worry Darling – EUA, 2022)

Direção: Olivia Wilde

Roteiro: Shane Van Dyke, Carey Van Dike, Katie Silberman

Elenco: Florence Pugh, Harry Styles, Olivia Wilde, Chris Pine, Gemma Chan, Kiki Layne, Sydney Chandler, Kate Berland, Nick Kroll, Asif Ali, Timothy Simons

Duração: 122 min

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Tags do artigo: florence pugh, harry styles, harry styles filme, não se preocupe querida, não se preocupe querida resenha,

Sobre o autor:

Isaac Serrão

Isaac Serrão

Sou escritor desde que me entendo por gente. Sou professor de teatro e graduando em cinema Audiovisual. Sou apaixonado pela linguagem e o poder das histórias. Aqui no Kailua estarei fazendo resenhas críticas de filmes e séries, dando sugestões de conteúdo audiovisual e compartilhando de contos fantásticos.

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