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Round 6: Só uma série sul-coreana ou uma amostra da sua vida?
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Round 6: Só uma série sul-coreana ou uma amostra da sua vida?

Para os amantes de um bom entretenimento alternativo, a produção sul-coreana do Netflix chegou para dar um tapa na cara da sociedade em TANTOS temas, que fica difícil escrever em um artigo só. Antes de continuarmos, é super importante dizer que a frente você encontrará SPOILERS. Continue a leitura por sua conta e risco.

A série conta a história de um grupo de 456 pessoas com dívidas saindo pelos ouvidos que já não conseguem encontrar soluções para os seus problemas pelos caminhos menos tortuosos. O primeiro tapa vem aí. 456 endividados, porém cada um com um histórico diferente. Alguns por ganância, outros por excesso de generosidade, outros por problemas de saúde, outros pelo envolvimento com o mundo do crime, outros viciados em apostas e mais 451 motivos diferentes. Pensa bem… não é essa a nossa realidade atual? Cada um de nós mergulha em uma piscina de boletos por um motivo diferente. Cada um com suas desculpas.

Para os 456, a proposta é simples. Eles precisam passar por 6 jogos infantis para conseguir sair com um prêmio de mais de 46 bilhões de wones (algo em torno de R$ 209.626.816,61). Mas o que eles só descobriram no local é que só saiam vencedores dos jogos. Os perdedores eram eliminados (leia: assassinados).

Por mais cruel que o jogo possa parecer, um dos pilares principais era o jogo justo e democrático. Ninguém tinha nenhuma vantagem em relação ao outro. Todos tinham a mesma quantidade de informações. Todos tinham que jogar. Se recusar a jogar, era sinal de eliminação. E aí vocês já sabem.

Ao longo da série, vemos que um dos participantes recebia informações privilegiadas de parte da equipe de organizadores. Tapa #2: Nem os lugares mais democráticos são 100% justos. Ainda que o problema tenha sido sanado pelos organizadores, esse mesmo jogador chegou mais longe que muitos outros. Consegue ver a relação com o mundo aqui fora? É muito fácil falar em meritocracia e estado democrático de direito quando estamos confortáveis em casa com nossas famílias, cercados de amor e com a geladeira cheia.

Durante os jogos, idosos, imigrantes e mulheres são deixados de lado por parte dos participantes, ilustrando comportamentos preconceituosos, machistas e xenofóbicos. Tapa #3.

Dado certo momento da série, entendemos que há muitos espectadores fazendo apostas em quem será o vencedor. Deixa eu ilustrar melhor… Pessoas estão assistindo outras pessoas lutarem por dinheiro. A diferença do programa da Juliette e do Round 6 é que o segundo tem muito mais gente e 455 morrem no final. Mas a essência é a mesma. Nos entretemos vendo os outros brigarem, sofrerem em provas de resistências cercadas de patrocinadores que são mais visíveis que os próprios participantes e apostamos nosso dinheiro em quem vai ganhar (casas de apostas esportivas aceitavam esse tipo de aposta no BBB também). Essa sociedade do espetáculo ganhou e continua ganhando telespectadores a cada ano que passa. Tapa #4.

Mas o sentimento principal da série é o desespero. Esse é o pilar principal do seriado. Pessoas endividadas muitas vezes se desesperam e fazem coisas que em qualquer outro momento da vida elas falariam ”não”. Vamos trazer esse exemplo para a nossa realidade? Você participaria desse tipo de jogo por 200 milhões de reais? Não? E se estivesse devendo pessoas perigosas? Ainda não? E se a sua mãe tivesse no leito de morte e você precisasse pagar pelas despesas médicas e esse fosse o único jeito (troque ”mãe” por qualquer pessoa que você ama, se for o caso) ? Achou pesada a pergunta? Bom, muitos escolheram participar por essa exata circunstância. Muitos fazem escolhas extremas devido a circunstância extremas. Olha para a criminalidade no Brasil… Quantos encarcerados vocês acham que escolheram essa vida por opção? O desespero é o ponto focal da série. O desespero é o ponto focal da vida. de muita gente. A série só deu voz e luz.

A série atingiu o primeiro lugar entre as séries mais assistidas de setembro. Talvez pelo simples motivo das pessoas adorarem ver pessoas se matando por dinheiro. Mas se você parar para observar o seriado, vai ser capaz de ver você lá dentro também. Se matando de trabalhar todos os dias e mesmo assim escolhendo conta no fim do mês. Talvez a única diferença entre a série e a vida seja a quantidade de armas e sangue, mas o estresse das dívidas também mata todos os dias, só que muito mais lentamente.

Afinal, o que é mais desumano? Os jogos de Round 6 ou a vida do brasileiro?

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Sobre o autor:

Raphael Lima

Raphael Lima

Raphael Lima foi o responsável pela criação do Instituto Kailua (IK). Seu espírito empreendedor deu vida a um projeto idealizado em 2014 e finalmente colocado em prática em 2017.

O Rapha também atua como professor de inglês (CELTA - Cambridge), coach de carreira (SLAC - Sociedade Latino Americana de Coaching), Gerente de Projetos (PUC-Minas), Mentor de Negócios pelo próprio IK e também como assessor de imprensa de uma Missão Diplomática no Rio de Janeiro.

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